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BBB, e a pobre da sinceridade 26/03/2010

Posted by beaboo in Celebridades, Fofocas, Pitis, Televisão.
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Eu não assisto o Big Brother Brasil. Não assisto porque não consegue segurar minha atenção por mais de 35 segundos.  Para mim, falta carga ficcional.  Emoção mesmo. Acho muito banal aquele pessoal todo naquela casa andando de um lado para o outro e fazendo fofoca. Parece demais a vida real, mas não a vida real que eu considero empolgante, aquela que se desenrola na rua, nas praças, nos espaços públicos, fervendo de gente desconhecida e de imprevistos. Big Brother, para mim, parece a vida real de um domingo, as quatro horas da tarde, em que você está em um churrasco breguinha, com gente que não conhece muito bem, e alguém fala mal do time alheio. É basicamente aquela discussão boba e aquele programa de índio que você poderia ter evitado se tivesse ouvido sua intuição, como prometeu que faria no ano novo . Eu colocaria uns tubarões para deixar mais empolgante. E raios laser.

Quem sabe uma ou outra luta na lama.

Ok, meu gosto brega extravagante e melodramático intenso não está em questão.  O que está em questão começou na sexta feira passada. Ou foi desencadeado na sexta e começou bem antes. Whatever.

Estava perto de um pessoal que discutia a prova do líder.  Aquela de frio, calor, luz, onde o público votava pela internet na intensidade dos, digamos, “incômodos” pelos quais os participantes eram submetidos. O problema é que eu chamo os “incômodos” de tortura.  Não é culpa minha, é o nome pelo qual meus pais me ensinaram a chamar isto no tópico de minha educação denominado “respeito à condição humana”. Quando questionada,  achei absurdo e me manifestei (me manifestei por um longo tempo, aliás. Talvez por mais tempo do que a etiqueta social determine. Mea culpa.) . Então fui chamada de hipócrita, e fiquei, digamos, intrigada.

Não condeno quem assiste Big Brother prque “é um programa alienado, burro, blábláblá”, de maneira alguma. Não tenho nada contra diversões frívolas . Sou fã de uns programas de TV absolutamente inúteis e insanamente divertidos. Meu problema é quanto ao que percebo no Big Brother como sintoma de uma cultura de “dedo em riste” e distorção das relações sociais, quando a “personalidade” de alguém passa a ser mais sujeita a julgamento e punição que o comportamento público do mesmo. Resumindo: quando as pessoas começam a encarar, com muita naturalidade, a chance de enfiar um facho de luz na cara do Dicesar só porque ele é “falso”, sendo que ser “falso” não é nenhum crime contra a sociedade e o convívio público. Aliás, ser falso até um tempo atrás, era um requisito indispensável para o convívio social.

Explico: como apontado por Richard Sennet no excelente “O Declínio do Homem Público: as tiranias da intimidade” (um dos melhores livros que já li na vida, sério), no século XVIII existia uma distinção muito clara entre a vida pública e a vida privada de um cidadão. No espaço público, ele assumia um papel claro, legível inclusive em suas roupas: as montações extremamente lúdicas do século XVIII vêm muito dessa relação de “papel social” que cada cidadão tinha na vida pública. Ao sair na rua, o cidadão não estava se expondo em sua intimidade caseira, e sim assumindo um papel claro no contexto social, que exigia inclusive que ele se vestisse de acordo com esse papel, apagando-se atrás de sua identidade pública. Essa distinção entre público e privado era essencial para o convívio nos espaços urbanos, e para a etiqueta no trato com o próximo. A intimidade do outro estava resguardada, porque o que se expõe em público é sua postura como cidadão público, não traços de sua personalidade. Isso nunca esteve em questão.

Como percebemos hoje em dia, depois do século XIX, com a Revolução Industrial e o consumo de massa, isso mudou, claro. Como as pessoas ficaram muito iguais no que consumiam, já que tudo é feito em série, pequenos detalhes que expressavam a “personalidade” dos indivíduos passaram a ter grande importância na vida pública. Os desdobramentos disso nós vemos no fato de os políticos se elegerem bem mais por sua personalidade e carisma, e até por ações que ocorreram em sua vida pessoal (e íntima!) do que pelas atitudes que tomam enquanto ocupantes de cargos públicos. Se for pensar bem, é meio incoerente eleger o papel público tendo em vista o papel privado, mas o Bill Clinton está aí para mostrar como a banda toca.

Ser sociável, é, para mim, agir na vida pública de forma a deixar todos que participem dela confortáveis. Afinal, é a vida PÚBLICA. Para isso existem os códigos de etiqueta e convívio: são espaços onde você pode se mover com segurança, desfrutando da companhia dos outros sem invadir o espaço de ninguém (me dói tanto ver a professora de etiqueta ser sempre a chata dos filmes da “Sessão da Tarde”…).  Claro, quando se vive a vida pública, a encenação é necessária: muitas vezes você acha seu colega de trabalho um babaca intolerável, mas isso não te dá nenhum direito de ofendê-lo em público, nem mesmo de “virar a cara” para ele. Siga o código social: cumprimente, seja agradável, não é preciso criar uma amizade profunda com ninguém para fazer isso. O espaço público, é público. Você não tem mais direito a ele do que as outras pessoas. Todos devem se sentir confortáveis e ter sua intimidade resguardada em público. É no que eu acredito.

E por isso odeio, associada a essa “cultura BBB”, a distorção que o conceito de sinceridade tem sofrido nos últimos tempos. Sinceridade é, para mim, agir e falar de acordo com sua verdade e valores. Não é permissão para falar qualquer grosseria desnecessária, ou para projetar os próprios preconceitos no outro. Já vi muita gente ofendendo a torto e direito, julgando, criando verdadeiros barracos totalmente evitáveis e, quando confrontadas, responderem simplesmente “é que eu sou sincero!”, como se isso fosse a justificativa mais perfeita, aquela que livra de todas as culpas. Não é. Sinceridade não é falta de educação e de respeito. Voltando ao BBB, não é porque o Dourado acredita com a maior convicção que ser gay é demérito, que ele tem que sinalizar isso o tempo todo, sendo que ele nem mesmo é solicitado a fazer isso. Por RESPEITOa vida pública, se guarda os preconceitos e julgamentos para si. Eles são PRIVADOS.

Sendo assim, não dá para eu gostar de Big Brother. Porque acho muito bizarro as pessoas julgarem quem está lá por ser “falso”, “não se mostrar”, “estar encenando”, “estar jogando”. Não tem nada mais público (nem mais jogo) que reality show, atualmente, e a vida pública para mim é o território da encenação. Da boa encenação. Daquela que faz seu colega de trabalho se sentir confortável no ambiente, mesmo que você o odeie, simplesmente porque seu ódio é particular, e porque você também gosta de se sentir confortável no espaço público, e zela por isso. E retomando o fato de ter sido chamada de hipócrita ao manifestar minha opinião quanto a prova do líder, me defendo agora: não acho que refrear os piores impulsos pelo bem da vida pública e pelo respeito ao indivíduo seja hipocrisia. Acho que o nome disso é civilização. É aquilo que possibilitou a arte, o convívio, o desenvolvimento humano. Se isso não diz nada a você, é o que possibilitou a tecnologia e o Playstation 3. Então zele por ela se quer jogar o próximo God of War.

Cinco maneiras de usar um lenço branco sem falar da paz mundial 24/10/2009

Posted by beaboo in Fail, pessoal, Pitis.
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Segundo Humberto Eco em História da feiúra, kitsch é aquilo que se vende como arte mas só consegue evocar sentimentos pré fabricados. Segundo eu mesma, kistch é a palavra que mais uso ultimamente quando saio de casa para assistir qualquer coisa.

Sejamos cruéis como o mundo, amiguinhos: existe guerra, existe violência, existe bomba atômica, fome, e Windows Vista, e abanar um lencinho branco não vai resolver isso. É clichê, é chato, é ineficaz, e é brega. E é kistch.

Por isso que tal dar outros usos para o famoso lenço? Aí, se quiser realmente mudar o mundo, procure uma organização, economize água, pesquise uma forma útil. Porque ninguém mais liga para esse negócio de branco. Causa mais efeito no reveillon.

  1. Assoe o nariz: já dizia Sherlock Holmes que o mais óbvio é sempre o mais provável.
  2. Amarre em alguma parte do corpo e faça um estilo: Lencinho no pescoço, no rosto (como o Reita), na perna, é tudo fashion.
  3. Limpe seus óculos, sua janela… limpe algo: é sempre necessário. Olhe à sua volta. Duvido que não encontrará nenhuma mancha perto de você.
  4. Use como máscara e previna-se contra a gripe A: autoexplicativo.
  5. Invente um flashmob random: Só não vale falar de paz mundial.

Rosquinha precisa…MORRER! 07/10/2009

Posted by beaboo in Fail, Pitis, Televisão.
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Eu não gosto de politicamente correto por uma razão simples: acho que é tranquilamente substituído por respeito e bom senso. Sejamos francos, ninguém precisa ficar todo preocupado se alguém vai interpretar “Lado Negro da Força” como racismo se as pessoas simplesmente respeitarem os negros. Ou os gordos, ou os deficientes, as mulheres, os gays, os fãs de Calypso… Acho que a necessidade dessas coisas simplesmente confirma o quanto somos incivilizados, mal educados e ruins de fingir, resumindo: desrespeitosos. Quanto ao bom senso, o caso a seguir é ilustrativo:

Estava eu abrindo meu e-mail quando vejo esse link: agora Homer Simpson,  O Homer Simpson, é garoto-propaganda da alimentação saudável na Inglaterra. Segue a pérola:

“Antes do início dos programas patrocinados, personagens do desenho que fingem ser membros da família são mostrados sentados em um sofá debruçados sobre sorvetes e batatas fritas que depois se transformam em alternativas mais saudáveis.

O governo espera que os telespectadores percebam que devem seguir este comportamento, e não a dieta baseada em cerveja e rosquinhas recheadas de Homer Simpson e sua família.”

Claro, porque “Os Simpsons” é um seriado de sátira de costumes, e TODO MUNDO sabe que o legal de obras de sátira de costumes é imitar JUSTAMENTE O QUE ESTÁ SENDO SATIRIZADO. Esse é o objetivo. Dãnh.
Vão descascar batatas. Batata não, porque engorda. Cenouras.

simpsons