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It’s the Opheliac in me…♫ 15/11/2010

Posted by beaboo in Celebridades, Fofuras cotidianas, musica.
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É tanta gente fazendo cara de ponto de interrogação quando respondo a pergunta “quem é seu artista preferido?” com um entusiasmado “Emilie Autumn!” que acabei me surpreendendo muito com o tamanho da fila que aguardava na entrada do Inferno Club. Sabe aquela clima “fila-de-evento-de-anime”? Se não sabe, é assim: 95% das pessoas vestem preto, você sabe exatamente quem veio para o evento/show antes mesmo do fulano entrar na fila, só pelas roupas, e você tem absoluta certeza de que aquele é um dos raros lugares na Terra onde você pode soltar uma piada interna do 4chan sem medo de ser feliz porque todo mundo vai rir. É, deu para perceber que eu me sinto muito a vontade nesses lugares né?

E eu lá, como manda o figurino, de preto dos pés a cabeça, sapato boneca com saltinho, meia calça de renda, tiara com pedrarias e plumas e medalhão de camafeu no pescoço, classical lolita; abraçada ao meu namorado tão-ou-mais-fã-da-emilie-que-eu e conversando com um casal de amigos que havíamos acabado de conhecer na fila e já pareciam uns queridos; tremendo  por dentro de ansiedade e impressionada com minha própria tietagem. Afinal, não era eu que não era fanática por coisa nenhuma, que havia largado lolita porque não dava mais tempo/grana e já tinha virado adultinha, que achava graça naqueles fãs enlouquecidos que assistia nos DVDs, chorando quando o ídolo pisava no palco, só para desfocar a visão do show e a maquiagem? Era eu sim. Mas graças a Deus, não sou mais eu. Eu não ia bancar a crescida blasé agora. Não para a Emilie.

É difícil explicar a minha relação com a música/estética criadas por Emilie Autumn. Eu teria que voltar lá na minha infância e nas minhas primeiras leituras, no livro dos irmãos Grimm cheio de iluminuras e já bem velho que ganhei de uma tia, na coleção de clássicos do século XVIII e XIX do meu pai que eram meus melhores amigos na adolescência, nas lições sobre as torturas e desencontros do amor que minhas amigas aprendiam assistindo Malhação e eu aprendia lendo O Morro dos Ventos Uivantes. Teria que contar da minha frustração ao perceber que minha aparência infantil e meus enormes olhos de boneca dificilmente seriam atraentes para os meninos da minha idade, mas combinavam perfeitamente com os vestidos com jeitão de época que vestia para dançar ballet. Teria que vencer a enorme dificuldade de expressar em palavras o quanto o estilo de vestir e agir dos adolescentes me parecia inapropriado e o estilo de vestir e agir de minhas heroínas vitorianas me parecia  apropriado. De expressar o quanto queria ser aceita e o quanto relutava em aceitar. Explicar meu fascínio por entender o lado sombrio do ser humano e as razões que o motivam, o amor pela cultura erudita e o som dos violinos. O desejo de ser bela mas estranha, de ser sombria mas cativante, de falar no tom espirituoso das citações de Oscar Wilde com um toque taciturno de Poe.

Quando descobri Emilie Autumn, vi que todas essas referências que se sobrepunham e discordavam haviam convergido no trabalho dela. De repente uma artista criava uma obra sobre um sanatório vitoriano onde garotas deliravam  e tomavam chá, com músicas adoráveis sobre temas tão difíceis e terríveis quanto pedofilia, pacientes abusadas por médicos, suicídio, desilusões e traição amorosas, assassinato por ciúmes, estupro, vunerabilidade. Um cenário vitoriano/burlesco conduzindo canções e poemas que, no fundo, tem um tema único: a fragilidade da mulher diante do mundo.

E aí vem meu segundo fator para amar tanto Emilie Autumn: ter conhecido seu trabalho há uns 3 anos, na angustiante virada da adolescência para a vida adulta, quando se toma consciência que independentemente de ser uma mulher que se matou de estudar para ser autosuficiente e ser extremamente prudente na condução da própria vida, somos o elo mais fraco. Somos sujeitas a machismo, a julgamento por aparência, a tentativas de domínio emocional por parte dos parceiros, a descrédito profissional só por estar em determinadas áreas, a violência sexual, a nossa própria idiotice em tentar se ajustar aos gostos masculinos por pura insegurança. Ouvi Emilie a primeira vez quando estava tateando em firmar minha identidade (hoje convicta e firme) como mulher e a postura que devo adotar no mundo. Aquelas mulheres lindas, espartilhadas e femininas (Emilie e suas Bloody Crumpets), cantando sobre horrores em tom de desafio são quase metáforas das heroínas de minha adolescência: femininas, fortes e terríveis, construindo um mundo só delas com chá, dor, delicadeza e frases de efeito.

E por todos esses fatores profundos (porque eu não seria eu se não teorizasse sobre tudo, inclusive sobre minha artista preferida) que meu coração acelerou tanto nos primeiros acordes de 4 O’Clock, e que assisti c0m os olhos chei0s de lágrimas ela entrar no palco com sua máscara (maravilhosa!) de rato. Que gaguejei emocionada os versos

Why can we never go back to bed?
Whose is the voice ringing in my head?
Where is the sense in these desperate dreams?
Why should I wake when I’m half past dead?
Sure as the clock keeps its steady chime
Weak as I walk to its steady rhyme
Ticking away from the ones we love
So many girls, so little time
E fui a loucura em Opheliac, a música de tantos momentos, berrando o refrão com o coro anônimo:
You know the games I play
And the words I say
When I want my own way
You know the lies I tell
When you’ve gone through hell
And I say I can’t stay
You know how hard it can be
To keep believing in me
When everything and everyone
Becomes my enemy and when
There’s nothing more you can do
I’m gonna blame it on you
It’s not the way I want to be
I only hope that in the end you will see
It’s the Opheliac in me

E olhando em volta os figurinos extravagantes e maquiagens elaboradas, eu sabia exatamente as caras que cada pessoa enfrentou no ônibus para ir até lá, os comentários que cada um ouviu ao longo da vida por suas escolhas estéticas. E eu sabia que era exatamente por isso que nunca renunciaríamos a elas. Essa música podia não ser a esteticamente mais perfeita, e essas roupas podiam não ser as que usamos no trabalho,mas elas são nós, nossos medos, nossas bravatas. O espetáculo circense cheio de detalhes e pequenos encantos era sob medida para nosso gosto refinado e fora de lugar. E nada mais triunfante em ver uma mulher tão linda quanto Verônica Varlow, que mais parecia uma estátua viva de tão perfeita, desprezar os garotos presentes e repetir “Hey girls, I love you” para a multidão embasbacada. Era o triunfo da afirmação feminina, bem-humorado, delicado e sutil.
Mas claro, tudo é ponto de vista né? Na volta,comentei pro meu namorado quanto prazer me dava a ideia de que minhas amigas provavelmente ODIARIAM  o show. Ele riu muito dizendo que os amigos dele também, e que isso era mesmo o máximo. Acho que a essência da Emilie, no fim, é ser underground mesmo, e que Spread the Plague é mais um “unir-vos” do que “multiplicar-vos”. É como se a Emilie dizesse: “hey, seus gostos estéticos não são tão fora do comum assim, tem mais gente, vão fazer coisas legais com isso”. Para mim, a lição foi: as coisas que você curte são excêntricas, mas são legais, vá se dedicar mais a elas.
Tô indo lá fazer isso, então.
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BBB, e a pobre da sinceridade 26/03/2010

Posted by beaboo in Celebridades, Fofocas, Pitis, Televisão.
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Eu não assisto o Big Brother Brasil. Não assisto porque não consegue segurar minha atenção por mais de 35 segundos.  Para mim, falta carga ficcional.  Emoção mesmo. Acho muito banal aquele pessoal todo naquela casa andando de um lado para o outro e fazendo fofoca. Parece demais a vida real, mas não a vida real que eu considero empolgante, aquela que se desenrola na rua, nas praças, nos espaços públicos, fervendo de gente desconhecida e de imprevistos. Big Brother, para mim, parece a vida real de um domingo, as quatro horas da tarde, em que você está em um churrasco breguinha, com gente que não conhece muito bem, e alguém fala mal do time alheio. É basicamente aquela discussão boba e aquele programa de índio que você poderia ter evitado se tivesse ouvido sua intuição, como prometeu que faria no ano novo . Eu colocaria uns tubarões para deixar mais empolgante. E raios laser.

Quem sabe uma ou outra luta na lama.

Ok, meu gosto brega extravagante e melodramático intenso não está em questão.  O que está em questão começou na sexta feira passada. Ou foi desencadeado na sexta e começou bem antes. Whatever.

Estava perto de um pessoal que discutia a prova do líder.  Aquela de frio, calor, luz, onde o público votava pela internet na intensidade dos, digamos, “incômodos” pelos quais os participantes eram submetidos. O problema é que eu chamo os “incômodos” de tortura.  Não é culpa minha, é o nome pelo qual meus pais me ensinaram a chamar isto no tópico de minha educação denominado “respeito à condição humana”. Quando questionada,  achei absurdo e me manifestei (me manifestei por um longo tempo, aliás. Talvez por mais tempo do que a etiqueta social determine. Mea culpa.) . Então fui chamada de hipócrita, e fiquei, digamos, intrigada.

Não condeno quem assiste Big Brother prque “é um programa alienado, burro, blábláblá”, de maneira alguma. Não tenho nada contra diversões frívolas . Sou fã de uns programas de TV absolutamente inúteis e insanamente divertidos. Meu problema é quanto ao que percebo no Big Brother como sintoma de uma cultura de “dedo em riste” e distorção das relações sociais, quando a “personalidade” de alguém passa a ser mais sujeita a julgamento e punição que o comportamento público do mesmo. Resumindo: quando as pessoas começam a encarar, com muita naturalidade, a chance de enfiar um facho de luz na cara do Dicesar só porque ele é “falso”, sendo que ser “falso” não é nenhum crime contra a sociedade e o convívio público. Aliás, ser falso até um tempo atrás, era um requisito indispensável para o convívio social.

Explico: como apontado por Richard Sennet no excelente “O Declínio do Homem Público: as tiranias da intimidade” (um dos melhores livros que já li na vida, sério), no século XVIII existia uma distinção muito clara entre a vida pública e a vida privada de um cidadão. No espaço público, ele assumia um papel claro, legível inclusive em suas roupas: as montações extremamente lúdicas do século XVIII vêm muito dessa relação de “papel social” que cada cidadão tinha na vida pública. Ao sair na rua, o cidadão não estava se expondo em sua intimidade caseira, e sim assumindo um papel claro no contexto social, que exigia inclusive que ele se vestisse de acordo com esse papel, apagando-se atrás de sua identidade pública. Essa distinção entre público e privado era essencial para o convívio nos espaços urbanos, e para a etiqueta no trato com o próximo. A intimidade do outro estava resguardada, porque o que se expõe em público é sua postura como cidadão público, não traços de sua personalidade. Isso nunca esteve em questão.

Como percebemos hoje em dia, depois do século XIX, com a Revolução Industrial e o consumo de massa, isso mudou, claro. Como as pessoas ficaram muito iguais no que consumiam, já que tudo é feito em série, pequenos detalhes que expressavam a “personalidade” dos indivíduos passaram a ter grande importância na vida pública. Os desdobramentos disso nós vemos no fato de os políticos se elegerem bem mais por sua personalidade e carisma, e até por ações que ocorreram em sua vida pessoal (e íntima!) do que pelas atitudes que tomam enquanto ocupantes de cargos públicos. Se for pensar bem, é meio incoerente eleger o papel público tendo em vista o papel privado, mas o Bill Clinton está aí para mostrar como a banda toca.

Ser sociável, é, para mim, agir na vida pública de forma a deixar todos que participem dela confortáveis. Afinal, é a vida PÚBLICA. Para isso existem os códigos de etiqueta e convívio: são espaços onde você pode se mover com segurança, desfrutando da companhia dos outros sem invadir o espaço de ninguém (me dói tanto ver a professora de etiqueta ser sempre a chata dos filmes da “Sessão da Tarde”…).  Claro, quando se vive a vida pública, a encenação é necessária: muitas vezes você acha seu colega de trabalho um babaca intolerável, mas isso não te dá nenhum direito de ofendê-lo em público, nem mesmo de “virar a cara” para ele. Siga o código social: cumprimente, seja agradável, não é preciso criar uma amizade profunda com ninguém para fazer isso. O espaço público, é público. Você não tem mais direito a ele do que as outras pessoas. Todos devem se sentir confortáveis e ter sua intimidade resguardada em público. É no que eu acredito.

E por isso odeio, associada a essa “cultura BBB”, a distorção que o conceito de sinceridade tem sofrido nos últimos tempos. Sinceridade é, para mim, agir e falar de acordo com sua verdade e valores. Não é permissão para falar qualquer grosseria desnecessária, ou para projetar os próprios preconceitos no outro. Já vi muita gente ofendendo a torto e direito, julgando, criando verdadeiros barracos totalmente evitáveis e, quando confrontadas, responderem simplesmente “é que eu sou sincero!”, como se isso fosse a justificativa mais perfeita, aquela que livra de todas as culpas. Não é. Sinceridade não é falta de educação e de respeito. Voltando ao BBB, não é porque o Dourado acredita com a maior convicção que ser gay é demérito, que ele tem que sinalizar isso o tempo todo, sendo que ele nem mesmo é solicitado a fazer isso. Por RESPEITOa vida pública, se guarda os preconceitos e julgamentos para si. Eles são PRIVADOS.

Sendo assim, não dá para eu gostar de Big Brother. Porque acho muito bizarro as pessoas julgarem quem está lá por ser “falso”, “não se mostrar”, “estar encenando”, “estar jogando”. Não tem nada mais público (nem mais jogo) que reality show, atualmente, e a vida pública para mim é o território da encenação. Da boa encenação. Daquela que faz seu colega de trabalho se sentir confortável no ambiente, mesmo que você o odeie, simplesmente porque seu ódio é particular, e porque você também gosta de se sentir confortável no espaço público, e zela por isso. E retomando o fato de ter sido chamada de hipócrita ao manifestar minha opinião quanto a prova do líder, me defendo agora: não acho que refrear os piores impulsos pelo bem da vida pública e pelo respeito ao indivíduo seja hipocrisia. Acho que o nome disso é civilização. É aquilo que possibilitou a arte, o convívio, o desenvolvimento humano. Se isso não diz nada a você, é o que possibilitou a tecnologia e o Playstation 3. Então zele por ela se quer jogar o próximo God of War.

Review: This is it! 02/11/2009

Posted by beaboo in Celebridades, Cinema.
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Ontem fui, finalmente, assistir o documentário This is it, que mostra os bastidores da que seria a última turnê de Michael Jackson, o inquestionável Rei do Pop.

Como fã com tendências chatinhas a encontrar conspirações comerciais sinistras (e um pouco hipócrita, já que compro tudo), claro que pensei que “OMG eles querem lucrar com a morte do MJ!”. Pois bem, engoli o veneno senhoras e senhores. A turnê não merecia menos que o filme. O Rei também não.

O filme é ótimo por não ser deprimente, nem sentimental em excesso. O que vemos é um homem (e sua incansável e paciente equipe) trabalhando. Só. Gostei porque, contrariando a tendência da imprensa de celebridades de focar na vida particular de Michael, e atribuir significados simbólicos às suas simples ações cotidianas, o diretor Kenny Ortega deixou que a personalidade de MJ transparecesse pelo seu trabalho. É na rotina de ensaios que aparece o perfeccionismo, a precupação em não decepcionar os fãs, a tendência centralizadora, a megalomania, um senso de diversão meio infantil.

E o show seria tão grandioso que, acompanhando os preparativos pelo documentário, ainda é impossível imaginar o que seria do mundo pop se ele tivesse ocorrido de fato.  Foi surpreendente para mim, que nunca duvidei da capacidade do Rei, imagino que para um seguimento da imprensa que insistia na idéia de um Michael artisticamente decadente, seria estarrecedor.  A morte dele antes da estréia parece estranhamente coerente com sua vida trágica e notável : aquela coisa de que, se fosse um filme, não seria impactante e triste. Meu pai, emocionado ao fim da sessão, deu um parecer meio de fã, meio de crítico da raça humana que ele sempre foi: “talvez Deus tenha achado que não merecíamos tal show vindo dele.”

Sentimental, mas pensando bem, pode até ser. Que ele seja lembrado pelos shows que fez então. This is it.

Bowienismo 03/10/2009

Posted by beaboo in Celebridades, musica.
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Atualmente, a terceira pergunta que mais me aflige é “Como vivi tanto tempo sem David Bowie?” (só para constar, a primeira pergunta é “o que tem para comer?” e a segunda, um pouco mais longa, é : “se o ego exagerado torna as pessoas tão ridículas, por que as pessoas com egocêntricas são egocêntricas, já que isso as torna ridículas, que é justamente o que elas temem?”). David Bowie tem vários fatores que admiro em um artista homem:

  1. Ele usava salto;
  2. Ele usava maquiagem;
  3. As músicas são incrivelmente psicodélicas e ao mesmo tempo, pop, mas claro, a maquiagem e o salto alto são essenciais.

O fato é que desde que ouvi a saga de Ziggy Stardust, eu canto Moonage Daydream e Heroes aqui em casa até ter a integridade física ameaçada. É realmente mágico.

Então estou postando só para compartilhar a alegria boba de assistir a esse vídeo milhares de vezes. (outra pergunta, o que eu fazia antes do you tube?)

O tal do conteúdo ( e um extra capilar) 19/08/2009

Posted by beaboo in Celebridades, Cinema, Himegyaru, Moda, Mundo cão.
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Ontem minha aula na faculdade acabou mais cedo, então decidi ir para a videoteca matar o tempo.  Como estou em uma época nostálgica de assistir filmes da era de ouro de Holywood, me decidi por um clássico da atriz Marilyn Monroe: Quanto mais quente melhor (Some Like it hot), direção de Billy Wilder, feito em 1959.

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Bem, o filme é legal, claro (figura na lista da AFI como a melhor comédia de todos os tempos). Ele traz já muito bem acabados os principais recursos de linguagem cinematográfica (isso em montagem, roteiro, temática e tudo o mais)  para produzir humor: justaposição de imagens inusitadas, a clássica questão da troca de gêneros ( Se eu fosse você esta aí para mostrar isso, aliás, o Tony Ramos deveria ter assistido Some Like it Hot mais atentamente para entender que dá para ser sutil ao interpretar uma mulher sem prejuízo do humor), diálogos absurdos ( a sequência final é excelente), exploração de estereótipos (o mafioso italiano, o milionário mulherengo, a loira sexy e ingênua, os músicos malandros). Um ponto interessante é ver o quanto do humor do filme resulta da montagem… será que Hollywood desaprendeu isso? É um recurso mais legal (e engraçado, na minha opinião) que as piadas carregadas de besteirol que assombram o gênero atualmente (exceção: Borat, Borat é legal, não vou falar de Brüno porque não assisti ainda).

Mas o que me toca (momento sentimental mesmo assistindo comédia, oi), é observar Marilyn em plena forma: doce, sexy, desprotegida, adoravelmente tola e consciente disso (diz no filme que não é uma garota muito inteligente). A interpretação é tão perfeita e cativante que é impossível não achar que ela era um gênio. E daí que era o papel da loira burra? No filme, ele faz todo o sentido, e Marilyn Monroe consegue a proeza de não tornar sua personagem chatinha (o que é muito fácil quando se interpreta esse tipo).Vendo o show da querida Marilyn que me lembrei do fato de que ela passou a vida atormentada achando que não era uma atriz de “conteúdo”, como se o tal do conteúdo fosse exclusividade de um gênero (no caso, o drama). Para mim, essa preocupação parece completamente fútil, diante da certeza que tenho de que ela era um talento espetacular, mas imagino o quanto o questionamento a fez sofrer.

Acredito que é tendência do ser humano procuram uma zona de conforto, com lugares comuns que correspondam, para nela confortavelmente construir sua identidade. Todo mundo faz isso, não sou exceção. É terrível, talvez a coisa mais dolorosa, a incerteza quanto ao que se é. Mas o jogo começa a ficar desumano quando alguns afirmam inflexivelmente que seu jardim é melhor, ou que apenas as suas plantas são flores. É quando mesmo dons visivelmente incríveis como o de Marilyn são rejeitados porque não estão no “lugar certo”, não correspondem ao estereótipo legal, ao gênero legal, à classe de pessoa cool e interessante. Porque eu acredito firmemente que existe inteligência em qualquer classe de coisa, qualquer mesmo, e que é muita pretensão (ou covardia) usar um rótulo como justificativa e sentença para tudo.

É muito simples recitar o mantra “marginal-cult-subversivo-underground-de arte-experimental” e jurar que no seu mundinho, e só nele, tudo é lindo, inteligente e correto. e é muito fácil recitar o mantra “comercial-famoso-hype-super produção” e jurar que só você vai ficar rico. Acontece que a questão é mais profunda. E individual. Acredito que chegamos num ponto de pluralidade cultural que é perigoso (e burro) generalizar qualquer coisa.

Fico triste ao me pensar que talvez Marilyn Monroe tenha morrido sem saber o quanto de inteligência, vivacidade e “conteúdo” sua interpretação tinha.

Lembrando que explorar (e questionar) estereótipos é um recurso do humor.

Extra capilar: Meu primeiro updo, weee

Ontem recebi meus bumpits, encomendados pela Carihshop. Fui eu toda feliz fazer penteado de himegyaru ( em uma tradução mais ou menos, garota-princesa: uma tribo japonesa que se caracteriza por roupas luxuosas e femininas, e cabelos volumosos, inspiradas pelas princesas ocidentais e de contos-de-fadas).

Esse é o penteado usado pelas himegyarus

Esse é o penteado usado pelas himegyarus

Bem, isso esta na série Putz Na Internet Parecia Tão Fácil: tive dificuldades em domar meu cabelo fino e ondulado, e no fim o resultado saiu mediano, mas tô super orgulhosa, então lá vai …

Eu, himegyaru (ou Amy Winehouse, tudo depende do referencial...)

Eu, himegyaru (ou Amy Winehouse, tudo depende do referencial...)