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22 24/11/2009

Posted by beaboo in pessoal.
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Desde que o conheci, começa sempre da mesma forma: um telefonema à meia noite, porque ele faz questão de ser o primeiro.

“Feliz aniversário amor! O que está fazendo aí?”

“Ah, estava assistindo Hermes e Renato… hilário, colocaram o Boça na feirinha da Liberdade falando que era a China” (nós vamos muito naquela feirinha).

“Bem, como se sente com 22?”

“Ah, com fome, e sono, acho”

Não só isso. 22 anos é aquela idade que parece incrivelmente distante na adolescência. É a idade com que minha mãe casou. É a idade com que devo tomar outra dose da vacina de febre amarela. E quando tomei a primeira dose, parecia que ia levar mil anos para tomar a segunda.

Bem, levou bem menos, 10 anos, na verdade, embora pareça apenas uns 10 dias um pouco agitados. É engraçado que coisas bem mais próximas cronológicamente, como a minha formatura de Ensino Médio e meu namoro anterior, parecem borrões de memória em que mal  consigo recordar os rostos das pessoas… mas lembro perfeitamente do dia em que fui tomar vacina contra febre amarela. Minha irmã chorou, a enfermeira comentou que tinha uma blusinha igual a minha (cinza, com pegadas de cachorro pretas). Eu tinha 12 anos, não gostava da minha escola, minha mãe não gostava das minhas amigas. Tinha prova de Ciências naquele dia.  Paixonite por um garoto  com o qual não me recordo de ter tido nenhuma conversa além de “oi”, e “me empresta seu caderno porque não fiz nada ontem”.  As coisas aconteciam, ganhavam importância e eram descartadas com a velocidade com que mascava compulsivamente meus chicletes. Só me lembro bem do dia da vacina, porque a enfermeira falou “Daqui a 10 anos, tem outra dose” Haha, 10 anos, nem posso imaginar isso.

Eu tenho 22 anos, gosto da minha faculdade, com algumas ressalvas;  minha mãe gosta de minhas amigas, mas a acha esquisitas, algumas eu conheci pessoalmente, outras muitas pela internet. Tenho Projeto de TV para entregar no fim do mês, reunião para hoje. Namoro feliz e bem resolvido com um cara com quem já conversei desde sobre meus planos para o futuro a porque considero O Exterminador do Futuro um marco absoluto. As coisas acontecem rápido, ganham importância ou não de maneira aleatória, não são descartadas a não ser quando a caixa de emails está cheia demais. E não masco mais chicletes porque, se descolar meu aparelho de novo, acho que o dentista gentil e paciente vai me matar com uma daquelas maquininhas barulhentas.

Enfim, é bom fazer 22. Achei que teria um baita medo do futuro, que sofreria pelas etapas finalizadas e tals. Mas não. Sinto uma curiosidade um pouco irresponsável pelo que está por vir.

E uma certeza de que não voltarei a comer doces tão cedo.

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Comentários»

1. Rafael Ferreira - 27/11/2009

O tempo toma formas e velocidades variadas, as vezes, com coisas que não tem sentido. Certas pessoas não conseguem lembrar nada do passado, enquanto umas não esquecem detalhe algum. Eu sou uma lastima pra isso, e de fato, quanto mais tempo passa, mais parece que vai demorar a passar.

2. Nichole - 24/01/2010

Bia tem que voltar a escrever (:
Adoro os seus posts \o/


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