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Harry Potter e as Relíquias da Morte- Parte II : Nobreza é boa, nem sempre é épica 18/07/2011

Posted by beaboo in Cinema.
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Hoje, finalmente, uma etapa de minha vida se encerrou. Fui assistir o último filme de Harry Potter, pelo menos o último por algum tempo, antes que J.K. comece a fazer o George Lucas e lançar um box especial por ano, cada um com a imagem ligeiramente melhorada e 10 segundos de cenas inéditas a mais.

Olha, nem vou ficar aqui narrando dos meus olhinhos brilhantes de criança a assistir ao primeiro filme, do carinho que tenho pelos livros que ganhava com tanta alegria, pela minha paixonite adolescente avassaladora por Rony Weasley/Rupert Grint (por quem minha atração segue inalterada até então, apenas em uma abordagem menos patética, mas se quiser ligar, tô aí)… porque né? Mas aquela coisa toda: sou fã, me afastei por uns tempos porque estava na fase “nerd elitista chata que só lê Tolkien para parecer mais inteligente para os menininhos do RPG”, voltei a curtir porque cresci e deixei de frescura, e estava aguardando ansiosamente o final para, finalmente, criticar bastante, comprar o box, criticar bastante o box e ir ler o universo expandido.

Mas falando do filme: eu gostei. Mesmo. Tenho uma crítica SÉRIA a fazer quanto ao desenvolvimento de um personagem no roteiro, mas o filme me sensibilizou bastante por razões que vou expor mais para frente. A partir daqui, só spoilers.

A crítica é: Alvo Dumbledore não apareceu como deveria. Na minha opinião, o encanto do personagem, que é ser um cara cheio de contradições e culpa debaixo do estereótipo bonachão de velhinho acolhedor, ficou totalmente sufocado pelo do medo do diretor em falhar ao expor o personagem e talvez torná-lo vilanesco para a parte do público que não leu o livro. O drama da morte de Ariana, a raiva e frustração do menino-prodígio que de repente se vê atado ao fardo da família que pode impedir suas ambições, a culpa e a determinação em combater ideias das quais ele esteve perigosamente próximo… nada disso aparece.

Mas o mais grave, grave porque não modificaria significativamente o filme e impede que um ponto muito importante da história seja compreendido, é a cena do diálogo entre Dumbledore e Harry, quando este está “morto” após se entregar voluntariamente a Voldemort.  Nem precisava muita coisa. Podia ser algo assim:

Harry: Ah, a propósito Dumbledore, eu morri?

Dumbledore: Ohhh, nãããooo, você sabe, aquela coisa de sacrifício, de como isso o protege, blá blá blá… cara, você leu as Crônicas de Nárnia né?

Harry: Ahhhhh claro. Entendi. Valeu Dumbledore.

Dumbledore: É nóis.

E pronto. Estava feito. Porque, sério, do jeito que ficou no filme, ninguém entende porque Harry não morreu, e fica achando que o Dumbledore é um velhinho troll que realmente preparou o menino como um porco para o abate, como acusa Snape.

Agora, a parte boa: acho que o maior mérito de Harry Potter é mostrar a nobreza dos personagens em uma situação extrema e terrível, mas sem exaltação. A mensagem é clara: somos heróis, mas odiamos que isso aqui tudo esteja acontecendo. Sério. Nós daríamos tudo para não estar.

O filme é denso, sombrio, sem respiro. Não tem alívio, nem mesmo nas esperadas cenas de beijo após filmes e filmes de enrolação. Tudo é teenebroso, todos estão apavorados, e os poucos momentos de animação são carregados de um humor negro fatalista.  As batalhas não são mostradas de forma gloriosa: é um caos absoluto, com crianças assustadas que se agarram à escola por ser a única referência que lhes restou. O herói não apresenta calma e frases de efeito: está apavorado, triste, desesperançoso. E mesmo quando a derrota do mal é completa, não existe júbilo: basta o castelo em ruínas, os sobreviventes algo apáticos e o chão forrado de mortos para entender que o que houve lá não será comemorado por ninguém. Não com a alegria de uma grande vitória. No máximo com o alívio algo entorpecido do despertar de um pesadelo.

O que me emocionou no filme foi que, ao meu ver, o diretor, negando o heróico e o épico em um acontecimento que, na verdade, é apenas trágico e lamentável, nos mostra o tempo todo a dor das pessoas comuns confrontadas com o horror da morte e da intolerância. Os vilões convictos, Voldemort e Bellatrix, parecem alucinados, anormais, ao aceitarem com alegria aquela realidade. Todos estão desconfortáveis. É perceptível que flertaram com ideias de superioridade por pura arrogância mas, diante do quadro real, só querem voltar para casa e serem ricos e esnobes em paz, vivos (ah que paralelo com tantos metidos a Bolsonaros por aí, amando o que nunca viram e estão gratos por não terem visto). A família Malfoy e sua fuga da batalha acaba se tornando não um símbolo de covardia, mas um desabafo da bondade inerente que eu, eterna otimista, acredito que todo ser humano tem. Não acho que todas as pessoas que fazem o mal são más. Muitas são perdidas. As que amam o mal, bem, quanto a essas não tenho dúvidas, e quero distância.

Mas o melhor momento é a despersonalização da figura do herói: Neville incentivando os amigos a enfrentarem Voldemort apesar da aparente morte de Harry é uma deliciosa desconstrução do clichê do escolhido. Não importa se Harry está vivo ou não: não se deve deixar de fazer o que é certo porque uma dita figura heróica morreu. As pessoas podem lutar por seus valores por si só. Não é preciso messianismo, só dignidade, amor, valores humanos. Qualquer um é capaz de defender o que ama.

E a grande conquista ao vencer o mal não é glória, fama, uma coroa, a liderança. É levar os filhos para a escola. O banal, o corriqueiro, essa é a glória de se viver. Esses jovens só queriam viver, se amar. Só. O que todos queremos. Não é épico. Mas é sublime. Confesso que chorei rios o filme todo.

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Dançar a música, dançar a vida 03/07/2011

Posted by beaboo in Fofuras cotidianas, Mundo cão, pessoal.
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Eu danço desde pequena. Posso listar três grandes razões para a constância desta atividade em minha vida.

A primeira, e mais óbvia, é que dançar é a profissão de minha mãe, e toda garotinha quer ser como sua mãe. E eu não seria diferente, ainda mais após anos assistindo, emocionada, minha mãe flutuando em suas sapatilhas, representando alguma sofrida princesa em seu lindo vestido. Afirmo com nenhuma sombra de dúvida que nenhuma menina desejou mais ser como sua mãe do que eu.

A segunda razão é que dançar é um desafio, e eu gosto de desafios. Sou competitiva por natureza, não com os outros, mas com meus próprios limites, e admiro grandemente a disciplina e o autocontrole, habilidades necessárias para uma bailarina. Dançar me dá prazer porque a lógica na dança é assustadoramente simples e justa: você se esforça, você evolui. Quem dera desse pra dançar a vida como se dança o minueto.

A terceira razão é a menos óbvia, mas talvez a mais profunda: dançar me ensina a levar a vida. Me ensina a admirar minha família e seus valores, me ensina a me esforçar pelo que quero. E me ensina o quê talvez seja a maior jornada e também a maior graça da minha vida: a ser um grupo. Ter parceiros. Dançar com outros.

Dançar é um trabalho de esforço individual sim. É você, um objetivo aparentemente impossível, e uma grande dor física no caminho. Leva um tempo pra vencer a dor, mas a maioria dos bailarinos que conheço não vêem grande dificuldade nesta etapa. O difícil é o que vem a seguir: vencer o orgulho.

Quando se dança em um grupo, não se pode pensar como indivíduo. Os movimentos devem ser executados por todos, iguaizinhos, ao mesmo tempo. Não adianta você chutar a perna na altura da orelha se seus companheiros não chutam. Não adianta você fazer o movimento 15 vezes mais rápido se seus companheiros não fazem, se seu coreógrafo não quer. Não existe espaço para o ego. É um trabalho de muitos. De confiança. Confiar que a piração do seu coreógrafo, que você não entende direito agora, vai ficar maravilhosa no palco. Confiar que seu parceiro não vai te deixar cair naquele levantamento complicado. Confiar que seus companheiros vão se movimentar com você, um corpo único, uma vontade única no palco, mesmo que a dor e o suor sejam exclusivos de cada um. Confiar na música. Confiar no público. E se expor, sem medo.

Com o tempo, você começa a sentir a unidade. Tem que sentir, não dá para aprender. Você e seu grupo respiram juntos, ofegam no mesmo trecho, movem cada músculo no mesmo compasso. Basta olhar com o canto do olho, e o movimento de quem está ao seu lado é imediatamente entendido. É louco. É como um déjà vu.

E na vida, quando a parceria dá certo, é assim. Funciona naquela música, naquele tempo. Pode acontecer de, de repente, os movimentos ficarem mais pesados. Você começa a duvidar do seu rumo. A coreografia parece não fazer mais sentido. E naquela olhada de canto de olho, você percebe que quem dança ao seu lado parece dançar sozinho. Você não compreende o próximo movimento.

Aí é mudar de palco, mudar de coreógrafo, de parceiro, de música. Porque a dor sempre será só sua, e se seu grupo não estiver dividindo sequer o ônus de construir a obra em unidade com você, não adianta, aquela mensagem já não lhe significa nada. No começo bate uma frustração. Mas quando você respira fundo, e encontra seu lugar… a nova coreografia está linda, a nova música faz sentido. Seus membros estão leves, seus parceiros lhe seguram com força e, naquela olhada de canto de olho, você vê todo mundo executando em uníssono, cada parte da sua vida trabalhando para criar beleza e significado. O esforço persiste, mas não importa, a dança está correta novamente, ele é só a ferramenta, só a lembrança de que a sua mente é também corpo ao qual ela não sobrevive, e que o sublime é juntar os dois no enorme prazer de dançar algo que valha a pena ser visto. O corpo ofega, a mente acalma. E tudo está no lugar novamente.

No êxtase, nem dá para ouvir os aplausos. A gente nem lembra disso.

It’s the Opheliac in me…♫ 15/11/2010

Posted by beaboo in Celebridades, Fofuras cotidianas, musica.
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É tanta gente fazendo cara de ponto de interrogação quando respondo a pergunta “quem é seu artista preferido?” com um entusiasmado “Emilie Autumn!” que acabei me surpreendendo muito com o tamanho da fila que aguardava na entrada do Inferno Club. Sabe aquela clima “fila-de-evento-de-anime”? Se não sabe, é assim: 95% das pessoas vestem preto, você sabe exatamente quem veio para o evento/show antes mesmo do fulano entrar na fila, só pelas roupas, e você tem absoluta certeza de que aquele é um dos raros lugares na Terra onde você pode soltar uma piada interna do 4chan sem medo de ser feliz porque todo mundo vai rir. É, deu para perceber que eu me sinto muito a vontade nesses lugares né?

E eu lá, como manda o figurino, de preto dos pés a cabeça, sapato boneca com saltinho, meia calça de renda, tiara com pedrarias e plumas e medalhão de camafeu no pescoço, classical lolita; abraçada ao meu namorado tão-ou-mais-fã-da-emilie-que-eu e conversando com um casal de amigos que havíamos acabado de conhecer na fila e já pareciam uns queridos; tremendo  por dentro de ansiedade e impressionada com minha própria tietagem. Afinal, não era eu que não era fanática por coisa nenhuma, que havia largado lolita porque não dava mais tempo/grana e já tinha virado adultinha, que achava graça naqueles fãs enlouquecidos que assistia nos DVDs, chorando quando o ídolo pisava no palco, só para desfocar a visão do show e a maquiagem? Era eu sim. Mas graças a Deus, não sou mais eu. Eu não ia bancar a crescida blasé agora. Não para a Emilie.

É difícil explicar a minha relação com a música/estética criadas por Emilie Autumn. Eu teria que voltar lá na minha infância e nas minhas primeiras leituras, no livro dos irmãos Grimm cheio de iluminuras e já bem velho que ganhei de uma tia, na coleção de clássicos do século XVIII e XIX do meu pai que eram meus melhores amigos na adolescência, nas lições sobre as torturas e desencontros do amor que minhas amigas aprendiam assistindo Malhação e eu aprendia lendo O Morro dos Ventos Uivantes. Teria que contar da minha frustração ao perceber que minha aparência infantil e meus enormes olhos de boneca dificilmente seriam atraentes para os meninos da minha idade, mas combinavam perfeitamente com os vestidos com jeitão de época que vestia para dançar ballet. Teria que vencer a enorme dificuldade de expressar em palavras o quanto o estilo de vestir e agir dos adolescentes me parecia inapropriado e o estilo de vestir e agir de minhas heroínas vitorianas me parecia  apropriado. De expressar o quanto queria ser aceita e o quanto relutava em aceitar. Explicar meu fascínio por entender o lado sombrio do ser humano e as razões que o motivam, o amor pela cultura erudita e o som dos violinos. O desejo de ser bela mas estranha, de ser sombria mas cativante, de falar no tom espirituoso das citações de Oscar Wilde com um toque taciturno de Poe.

Quando descobri Emilie Autumn, vi que todas essas referências que se sobrepunham e discordavam haviam convergido no trabalho dela. De repente uma artista criava uma obra sobre um sanatório vitoriano onde garotas deliravam  e tomavam chá, com músicas adoráveis sobre temas tão difíceis e terríveis quanto pedofilia, pacientes abusadas por médicos, suicídio, desilusões e traição amorosas, assassinato por ciúmes, estupro, vunerabilidade. Um cenário vitoriano/burlesco conduzindo canções e poemas que, no fundo, tem um tema único: a fragilidade da mulher diante do mundo.

E aí vem meu segundo fator para amar tanto Emilie Autumn: ter conhecido seu trabalho há uns 3 anos, na angustiante virada da adolescência para a vida adulta, quando se toma consciência que independentemente de ser uma mulher que se matou de estudar para ser autosuficiente e ser extremamente prudente na condução da própria vida, somos o elo mais fraco. Somos sujeitas a machismo, a julgamento por aparência, a tentativas de domínio emocional por parte dos parceiros, a descrédito profissional só por estar em determinadas áreas, a violência sexual, a nossa própria idiotice em tentar se ajustar aos gostos masculinos por pura insegurança. Ouvi Emilie a primeira vez quando estava tateando em firmar minha identidade (hoje convicta e firme) como mulher e a postura que devo adotar no mundo. Aquelas mulheres lindas, espartilhadas e femininas (Emilie e suas Bloody Crumpets), cantando sobre horrores em tom de desafio são quase metáforas das heroínas de minha adolescência: femininas, fortes e terríveis, construindo um mundo só delas com chá, dor, delicadeza e frases de efeito.

E por todos esses fatores profundos (porque eu não seria eu se não teorizasse sobre tudo, inclusive sobre minha artista preferida) que meu coração acelerou tanto nos primeiros acordes de 4 O’Clock, e que assisti c0m os olhos chei0s de lágrimas ela entrar no palco com sua máscara (maravilhosa!) de rato. Que gaguejei emocionada os versos

Why can we never go back to bed?
Whose is the voice ringing in my head?
Where is the sense in these desperate dreams?
Why should I wake when I’m half past dead?
Sure as the clock keeps its steady chime
Weak as I walk to its steady rhyme
Ticking away from the ones we love
So many girls, so little time
E fui a loucura em Opheliac, a música de tantos momentos, berrando o refrão com o coro anônimo:
You know the games I play
And the words I say
When I want my own way
You know the lies I tell
When you’ve gone through hell
And I say I can’t stay
You know how hard it can be
To keep believing in me
When everything and everyone
Becomes my enemy and when
There’s nothing more you can do
I’m gonna blame it on you
It’s not the way I want to be
I only hope that in the end you will see
It’s the Opheliac in me

E olhando em volta os figurinos extravagantes e maquiagens elaboradas, eu sabia exatamente as caras que cada pessoa enfrentou no ônibus para ir até lá, os comentários que cada um ouviu ao longo da vida por suas escolhas estéticas. E eu sabia que era exatamente por isso que nunca renunciaríamos a elas. Essa música podia não ser a esteticamente mais perfeita, e essas roupas podiam não ser as que usamos no trabalho,mas elas são nós, nossos medos, nossas bravatas. O espetáculo circense cheio de detalhes e pequenos encantos era sob medida para nosso gosto refinado e fora de lugar. E nada mais triunfante em ver uma mulher tão linda quanto Verônica Varlow, que mais parecia uma estátua viva de tão perfeita, desprezar os garotos presentes e repetir “Hey girls, I love you” para a multidão embasbacada. Era o triunfo da afirmação feminina, bem-humorado, delicado e sutil.
Mas claro, tudo é ponto de vista né? Na volta,comentei pro meu namorado quanto prazer me dava a ideia de que minhas amigas provavelmente ODIARIAM  o show. Ele riu muito dizendo que os amigos dele também, e que isso era mesmo o máximo. Acho que a essência da Emilie, no fim, é ser underground mesmo, e que Spread the Plague é mais um “unir-vos” do que “multiplicar-vos”. É como se a Emilie dizesse: “hey, seus gostos estéticos não são tão fora do comum assim, tem mais gente, vão fazer coisas legais com isso”. Para mim, a lição foi: as coisas que você curte são excêntricas, mas são legais, vá se dedicar mais a elas.
Tô indo lá fazer isso, então.

Recordações para eu mesma 16/09/2010

Posted by beaboo in pessoal, Uncategorized.
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Não ajunteis para vós tesouros na terra, onde a ferrugem e as traças corroem, onde os ladrões furtam e roubam.
Ajuntai para vós tesouros no céu, onde não os consomem nem as traças nem a ferrugem, e os ladrões não furtam nem roubam.
Porque onde está o teu tesouro, lá também está teu coração.
O olho é a luz do corpo. Se teu olho é são, todo o teu corpo será iluminado.
Se teu olho estiver em mau estado, todo o teu corpo estará nas trevas. Se a luz que está em ti são trevas, quão espessas deverão ser as trevas!
Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou odiará a um e amará o outro, ou dedicar-se-á a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e à riqueza.
Portanto, eis que vos digo: não vos preocupeis por vossa vida, pelo que comereis, nem por vosso corpo, pelo que vestireis. A vida não é mais do que o alimento e o corpo não é mais que as vestes?
Olhai as aves do céu: não semeiam nem ceifam, nem recolhem nos celeiros e vosso Pai celeste as alimenta. Não valeis vós muito mais que elas?
Qual de vós, por mais que se esforce, pode acrescentar um só côvado à duração de sua vida?
E por que vos inquietais com as vestes? Considerai como crescem os lírios do campo; não trabalham nem fiam.
Entretanto, eu vos digo que o próprio Salomão no auge de sua glória não se vestiu como um deles.
Se Deus veste assim a erva dos campos, que hoje cresce e amanhã será lançada ao fogo, quanto mais a vós, homens de pouca fé?
Não vos aflijais, nem digais: Que comeremos? Que beberemos? Com que nos vestiremos?
São os pagãos que se preocupam com tudo isso. Ora, vosso Pai celeste sabe que necessitais de tudo isso.
Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas estas coisas vos serão dadas em acréscimo.
Não vos preocupeis, pois, com o dia de amanhã: o dia de amanhã terá as suas preocupações próprias. A cada dia basta o seu cuidado.

No final deu tudo certo 05/08/2010

Posted by beaboo in Fofuras cotidianas, Nerdices, pessoal.
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E essa é uma lembrança para eu nunca mais sofrer a toa:

Lindo, lindo, lindo e engraçado, como a vida. A tristeza existe também, de forma justa ou cruel, mas sempre que possível, que ela seja pretexto para a beleza. E quando não for, que ela seja combatida de forma justa, em duelo, armas equiparadas.

Não te detenhas 02/08/2010

Posted by beaboo in pessoal.
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Tenha sempre presente que a pele se enruga,
o cabelo embranquece, os dias convertem-se em anos.

Mas o que é importante não muda;

A tua força e convicção não têm idade.

O teu espírito é como qualquer teia de aranha.

Atrás de cada linha de chegada, há uma de partida.

Atrás de cada conquista, vem um novo desafio.

Enquanto estiveres viva, sente-te viva.

Se sentes saudades do que fazias, volta a fazê-lo.

Não vivas de fotografias amarelecidas.

Continua, quando todos esperam que desistas.

Não deixes que enferruje o ferro que existe em ti.

Faz com que em vez de pena, te tenham respeito.

Quando não conseguires correr através dos anos, trota.

Quando não conseguires trotar, caminha.

Quando não conseguires caminhar, usa uma bengala.

Mas nunca te detenhas!!!

Madre Teresa de Calcutá


Acho que melancolia… 31/07/2010

Posted by beaboo in Fofuras cotidianas.
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… é querer permanecer parado enquanto tudo está se movendo. Só para ver mais um pouco, antes que desfoque.

Nessa bumba eu não ando mais 26/07/2010

Posted by beaboo in Fail, Fofuras cotidianas, pessoal.
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Antes de mais nada, quero começar agradecendo ao cara que um belo dia, teve a genial idéia de criar um celular que toca música na mesma altura que qualquer som automotivo. Obrigada, você colaborou para tornar os ônibus a versão socialmente aceita do freakshow. Graças a você, sou conhecedora de músicas bizarras que, do contrário, nunca ouviria, afundada em meus preconceitos sonoros. Graças a você, consigo desconsiderar totalmente algo que deu muito errado no meu dia, pois, ao entrar no ônibus, sou lembrada imediatamente de que existe coisa muito pior bem perto de mim. E graças a você, tenho durante diversas vezes a oportunidade de assistir a algum barraco épico no ônibus, porque de vez em quando algum cidadão de bom-senso ranzinza fica incomodado e resolve lembrar que tem mais gente no recinto.

Tudo bem, qualquer dia pode dar alguma agressão mais complicada, mas hey, sem sangue sem glória!

Viajando todo fim de semana para visitar a casa matriz e lar verdadeiro no interior, é comum ver de tudo nos ônibus. Confusões com venda de passagem, música alta, crianças incontroláveis, passageiros que contam as maiores intimidades para desconhecidos. Nem sempre é desagradável, claro. Sexta-feira sentei ao lado de um policial militar que contou histórias super engraçadas sobre o tempo em que as empresas de ônibus se recusavam a transportar os PMs gratuitamente e ele dependia de caronas para chegar em casa.  Assisti “Onde vivem os monstros” durante uma viagem. Ás vezes gosto da música que o sem-noção da vez está propagando ao mundo,  mas sempre mantenho em mente que é provável que as outras pessoas não gostem e se irritem.

Mas mesmo com todos os fatores de irritação, não entendo como tem gente que perde totalmente a linha só de adentrar o ônibus. Já vi até adultos implicando loucamente com risadas de bebês (como alguém não gosta de risadas de bebê?) e DISCUTINDO COM CRIANÇAS. Hoje, uma louca passou a viagem toda DE PÉ para fofocar (uma hora e quarenta minutos!). Vi um cara dormindo de lado no banco, de dedo na boca e cobertinha. Tinha um cara ouvindo um resultado random de “Dança dos famosos” no rádio.

Achava que proibir o celular com música era uma opção, mas sério, a coisa dos ônibus é muito mais grave, deve ter um pózinho de insanidade no ar. Fica meu registro para as autoridades públicas bazerem algo.

Na toca do coelho 15/06/2010

Posted by beaboo in Fofuras cotidianas, pessoal.
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Pois é, longa ausência, não só do blog, mas da  vida virtual em geral (saldo do dia: orkut mofando -não que eu me importe; facebook, o q é isso?; twitter mais abandonado que esperança do Corinthians). Quem me conhece mais intimamente sabe o porquê : estou trabalhando em São Paulo, me mudei para lá, estava tudo meio bagunçado ainda e eu sou uma pessoa dada a contemplar o novo e esquecer do resto, fato. Agora, voltando aos eixos.

Eu sempre odiei morar no interior com todas as minhas forças. Claro, era um ódio um tanto hipócrita e contraditório, surgido mais do esnobismo do que da convicção, porque apesar de eu me achar super cosmopolita, o fato é que nunca saí muito da região, e todo meu (oh!) superior conhecimento do mundo, da cultura, do hype e whatever, vinha do fato de eu ser uma baita nerd rata de biblioteca, e não uma pessoa viajada e versada de forma prática na misteriosa arte do conhecimento do mundo. Enfim, eu era uma sheldonzinha mala.

Talvez eu ainda seja, mas penso que mudei, e o blog é meu. Após essa demonstração gratuita de poder, continuemos.

Não vou ser clichezona, dizendo que a cidade grrrrande me fez mudarr, e agora eu entendo as belezas e a tranquilidade do interior, desejando estar sempre nesse ambiente idílico e calmo. Não vou dizer porque, além de clichê, seria mentira (só a imagem mental desse bucolismo todo me provocou um bocejo e uma leve dormência no pé direito). Eu adoro a bagunça de São Paulo, adoro mesmo. Claro, o barulho é tremendo, o nível de pobreza é revoltante, e as pessoas se acham muito espertas por falar os r’s de forma afrescalhada só para baterem no peito e dizerem que não são caipiras. Os motoristas são, em muitos casos, verdadeiros animais, as pessoas se empurram no metrô (gente, no interior pessoal tem mais pudor, #ficaadica), e FAZ UM FRIO ABSURDO, WTF. Mas hey, é São Paulo, tem muita coisa legal a fazer e nerdice a comprar, eu realmente estou amando meu emprego, e é bom ser adultinha e começar a construir a própria vida. Sinto muitas saudades da barulheira alegre da minha casa de verdade, (o apê de Sampa é sucursal) mas volto para a terrinha de fim de semana, e faço o dobro de barulho. É mudança, mas é legal.

A verdade que corri atrás do coelho branco, apenas porque desejei, e de repente me vi caindo em um mundo novo. Ora fico enorme, inflada pela independência e pelas novas e deliciosas pequenas conquistas do cotidiano, ora diminuo frustrada pelos pequenos fracassos e por tudo que preciso aprender em mais de cinco minutos. Os monstros me aterrorizam, e depois rio vendo que eram só um baralho de cartas. Minha cabeça não perdi, mesmo sob constante ameaça.

Vai ser assim. Que seja às maravilhas, então.

E bem melhor que o filme do Tim Burton, espero.

BBB, e a pobre da sinceridade 26/03/2010

Posted by beaboo in Celebridades, Fofocas, Pitis, Televisão.
1 comment so far

Eu não assisto o Big Brother Brasil. Não assisto porque não consegue segurar minha atenção por mais de 35 segundos.  Para mim, falta carga ficcional.  Emoção mesmo. Acho muito banal aquele pessoal todo naquela casa andando de um lado para o outro e fazendo fofoca. Parece demais a vida real, mas não a vida real que eu considero empolgante, aquela que se desenrola na rua, nas praças, nos espaços públicos, fervendo de gente desconhecida e de imprevistos. Big Brother, para mim, parece a vida real de um domingo, as quatro horas da tarde, em que você está em um churrasco breguinha, com gente que não conhece muito bem, e alguém fala mal do time alheio. É basicamente aquela discussão boba e aquele programa de índio que você poderia ter evitado se tivesse ouvido sua intuição, como prometeu que faria no ano novo . Eu colocaria uns tubarões para deixar mais empolgante. E raios laser.

Quem sabe uma ou outra luta na lama.

Ok, meu gosto brega extravagante e melodramático intenso não está em questão.  O que está em questão começou na sexta feira passada. Ou foi desencadeado na sexta e começou bem antes. Whatever.

Estava perto de um pessoal que discutia a prova do líder.  Aquela de frio, calor, luz, onde o público votava pela internet na intensidade dos, digamos, “incômodos” pelos quais os participantes eram submetidos. O problema é que eu chamo os “incômodos” de tortura.  Não é culpa minha, é o nome pelo qual meus pais me ensinaram a chamar isto no tópico de minha educação denominado “respeito à condição humana”. Quando questionada,  achei absurdo e me manifestei (me manifestei por um longo tempo, aliás. Talvez por mais tempo do que a etiqueta social determine. Mea culpa.) . Então fui chamada de hipócrita, e fiquei, digamos, intrigada.

Não condeno quem assiste Big Brother prque “é um programa alienado, burro, blábláblá”, de maneira alguma. Não tenho nada contra diversões frívolas . Sou fã de uns programas de TV absolutamente inúteis e insanamente divertidos. Meu problema é quanto ao que percebo no Big Brother como sintoma de uma cultura de “dedo em riste” e distorção das relações sociais, quando a “personalidade” de alguém passa a ser mais sujeita a julgamento e punição que o comportamento público do mesmo. Resumindo: quando as pessoas começam a encarar, com muita naturalidade, a chance de enfiar um facho de luz na cara do Dicesar só porque ele é “falso”, sendo que ser “falso” não é nenhum crime contra a sociedade e o convívio público. Aliás, ser falso até um tempo atrás, era um requisito indispensável para o convívio social.

Explico: como apontado por Richard Sennet no excelente “O Declínio do Homem Público: as tiranias da intimidade” (um dos melhores livros que já li na vida, sério), no século XVIII existia uma distinção muito clara entre a vida pública e a vida privada de um cidadão. No espaço público, ele assumia um papel claro, legível inclusive em suas roupas: as montações extremamente lúdicas do século XVIII vêm muito dessa relação de “papel social” que cada cidadão tinha na vida pública. Ao sair na rua, o cidadão não estava se expondo em sua intimidade caseira, e sim assumindo um papel claro no contexto social, que exigia inclusive que ele se vestisse de acordo com esse papel, apagando-se atrás de sua identidade pública. Essa distinção entre público e privado era essencial para o convívio nos espaços urbanos, e para a etiqueta no trato com o próximo. A intimidade do outro estava resguardada, porque o que se expõe em público é sua postura como cidadão público, não traços de sua personalidade. Isso nunca esteve em questão.

Como percebemos hoje em dia, depois do século XIX, com a Revolução Industrial e o consumo de massa, isso mudou, claro. Como as pessoas ficaram muito iguais no que consumiam, já que tudo é feito em série, pequenos detalhes que expressavam a “personalidade” dos indivíduos passaram a ter grande importância na vida pública. Os desdobramentos disso nós vemos no fato de os políticos se elegerem bem mais por sua personalidade e carisma, e até por ações que ocorreram em sua vida pessoal (e íntima!) do que pelas atitudes que tomam enquanto ocupantes de cargos públicos. Se for pensar bem, é meio incoerente eleger o papel público tendo em vista o papel privado, mas o Bill Clinton está aí para mostrar como a banda toca.

Ser sociável, é, para mim, agir na vida pública de forma a deixar todos que participem dela confortáveis. Afinal, é a vida PÚBLICA. Para isso existem os códigos de etiqueta e convívio: são espaços onde você pode se mover com segurança, desfrutando da companhia dos outros sem invadir o espaço de ninguém (me dói tanto ver a professora de etiqueta ser sempre a chata dos filmes da “Sessão da Tarde”…).  Claro, quando se vive a vida pública, a encenação é necessária: muitas vezes você acha seu colega de trabalho um babaca intolerável, mas isso não te dá nenhum direito de ofendê-lo em público, nem mesmo de “virar a cara” para ele. Siga o código social: cumprimente, seja agradável, não é preciso criar uma amizade profunda com ninguém para fazer isso. O espaço público, é público. Você não tem mais direito a ele do que as outras pessoas. Todos devem se sentir confortáveis e ter sua intimidade resguardada em público. É no que eu acredito.

E por isso odeio, associada a essa “cultura BBB”, a distorção que o conceito de sinceridade tem sofrido nos últimos tempos. Sinceridade é, para mim, agir e falar de acordo com sua verdade e valores. Não é permissão para falar qualquer grosseria desnecessária, ou para projetar os próprios preconceitos no outro. Já vi muita gente ofendendo a torto e direito, julgando, criando verdadeiros barracos totalmente evitáveis e, quando confrontadas, responderem simplesmente “é que eu sou sincero!”, como se isso fosse a justificativa mais perfeita, aquela que livra de todas as culpas. Não é. Sinceridade não é falta de educação e de respeito. Voltando ao BBB, não é porque o Dourado acredita com a maior convicção que ser gay é demérito, que ele tem que sinalizar isso o tempo todo, sendo que ele nem mesmo é solicitado a fazer isso. Por RESPEITOa vida pública, se guarda os preconceitos e julgamentos para si. Eles são PRIVADOS.

Sendo assim, não dá para eu gostar de Big Brother. Porque acho muito bizarro as pessoas julgarem quem está lá por ser “falso”, “não se mostrar”, “estar encenando”, “estar jogando”. Não tem nada mais público (nem mais jogo) que reality show, atualmente, e a vida pública para mim é o território da encenação. Da boa encenação. Daquela que faz seu colega de trabalho se sentir confortável no ambiente, mesmo que você o odeie, simplesmente porque seu ódio é particular, e porque você também gosta de se sentir confortável no espaço público, e zela por isso. E retomando o fato de ter sido chamada de hipócrita ao manifestar minha opinião quanto a prova do líder, me defendo agora: não acho que refrear os piores impulsos pelo bem da vida pública e pelo respeito ao indivíduo seja hipocrisia. Acho que o nome disso é civilização. É aquilo que possibilitou a arte, o convívio, o desenvolvimento humano. Se isso não diz nada a você, é o que possibilitou a tecnologia e o Playstation 3. Então zele por ela se quer jogar o próximo God of War.